O aumento das exportações em 22,4% no primeiro semestre deste ano contribuiu para que a indústria brasileira de pneus fechasse o período com queda de apenas 3,2% na produção, índice bem abaixo da retração enfrentada internamente. De acordo com dados da Anip, Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos, a produção este ano ficou em 33,6 milhões de unidades, ante as 34,7 milhões do mesmo período de 2015.
As vendas totais, incluindo as internas e as exportações, caíram 1,9% em unidades, baixando de 35 milhões para 34 milhões. Só as exportações tiveram desempenho positivo, saltando de 5,8 milhões no primeiro semestre do ano passado para 7,1 milhões em idêntico período deste ano. Como as exportações cresceram mais do que as importações, o setor ampliou o seu superávit comercial de US$ 405 milhões para US$ 743,5 milhões no mesmo comparativo.
O mercado de reposição teve pequena queda de 1,7%, com vendas de 22 milhões de unidades este ano contra 22,4 milhões no primeiro semestre de 2015, enquanto as vendas OEM caíram 20,8%, com a comercialização, respectivamente, de 6,14 milhões e 7,76 milhões de unidades.
Segundo a Anip, as vendas para a indústria tiveram queda pelo 30º mês consecutivo em todos os segmentos atendidos pelas fabricantes de pneus. O de veículos de passeio, por exemplo, caiu 20,1%, com vendas no primeiro semestre deste ano de 3,6 milhões de unidades, enquanto o de pesados teve decréscimo de 32%, com 395 mil unidades. Também o de duas rodas teve forte retração de 35,3%, com 845 mil unidades comercializadas.

Nova política – “Os resultados negativos são reflexos da crise econômica e da baixa competitividade dos pneus nacionais”, avalia Alberto Mayer, presidente da Anip. “Por conta dos elevados custos operacionais e tributários no País, a indústria brasileira não consegue oferecer melhores preços, o que acaba limitando a sua competitividade interna e externa”.
Pela análise da Anip, portanto, a indústria brasileira poderia até exportar mais se fossem adotadas políticas que melhorassem a sua competitividade. A entidade, inclusive, já encaminhou propostas do governo para alavancar o crescimento da indústria brasileira de pneumáticos, tais como questões fiscais e tributárias, desoneração do processo de logística reversa, melhor acesso a insumos essenciais para a produção de pneus e estímulos à exportação, implantação de margem de preferência para a indústria nacional nas compras públicas.
“O país precisa adotar políticas mais competitivas para estimular a indústria nacional e, consequentemente, aquecer a economia. Produzimos produtos de altíssima qualidade internamente, contudo não conseguimos disputar em pé de igualdade com os preços ofertados no mercado externo”, afirma Mayer.
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